sábado, 30 de abril de 2011

Lolita




Lolita (ou Loli) é apenas um estilo. Não existe um fato que o torne uma cultura de um povo ou país, são apenas roupas.
Loli é um estilo bastante usado no Japão e teve suas primeiras manifestações no final da década de 70, ficando definido no início da década de 80 e foi, em partes, inspirado na cultura japonesa "Kawaii" que significa fofo, ou adorável. Tem base na época Vitoriana, no Rococó e na nostalgia das vestes das princesas e até mesmo nas antigas bonecas de porcelana.
A infância propriamente dita e os contos de fadas teve forte influência sobre o estilo.
As lolitas dividem-se em vários tipos, alguns polêmicos e controversos. Demonstra pureza, inocência e a parte nostálgica da infância. Há também a preocupação de parecer elegante e infantil, evitando demonstrar uma imagem vulgarizada.
Os principais adereços são as rendas, saias godê (tipo A) até a altura do joelho, babados, decote alto, franjas retas, fitas nos cabelos, meia calça de cor branca, sapatos que lembrem os das bonecas. Estes ítens são comuns em todos os subestilos das lolitas.
Aqui no Brasil esse estilo não é tão predominante quanto no Japão, logo, as brasileiras que aderem-se a este estilo acabam muitas vezes tendo de procurar por costureiras e criar roupas sob medida, já que não temos lojas especializadas por aqui.
Habitualmente as lolitas frequentam karaokês, promovem chás da tarde regularmente. Ou apenas vão a confeitarias e cafeterias.



Subcategorias (os estilos dentro do estilo)




Classical Lolita


Este é o estilo mais clássico das Lolitas, remete ao legítimo Rococó e a moda Vitoriana (que foi o período do reinado da Rainha Vitória no século XIX). Consiste em modelagens mais sérias e imponentes, sempre com muita elegância e sobriedade.
As cores mais usadas são: o bege, o preto, o vinho, o marfim e o verde escuro.      









                                              (Rainha Vitória, 20 de Julho de 1837)


Sweet Lolita 


Esta é a típica lolita inspirada na cultura japonesa kawaii, o dito "fofo". Consiste em estampas minimalistas e delicadas, com coisas pequenas e consideradas "bonitinhas" como frutas, flores, ursos de pelúcia e poá. As cores evidenciais são o rosa, azul, verde, amarelo e pêssego, todos em tons clarinhos denominados "bebê".

















Country Lolita



O Country Lolita nada mais é que uma subdivisão do Sweet Lolita dando ênfase ao xadrez, ao quadriculado, estampas florais mais evidentes e coloridas, além de frutas. Ou seja, tudo o que lembre o campo, e evidencie uma bonequinha camponesa. O chapéu de palha é um acessório primordial.

Shiro Lolita 


Pode ser considerada tanto uma subdividão do Sweet Lolita quanto do Gothic Lolita, as Shiro Lolitas são as lolitas que se vestem apenas de branco, dos pés á cabeça.




















Kuro Lolita 

Considerada mais uma subdivisão do Sweet Lolita, as Kuro Lolitas são as lolitas que se vestem somente e completamente de preto.
























Punk Lolita

Nada mais que a mistura do estilo Punk com Lolita, consiste na utilização de sobreposições, xadrez, listras e estampas variadas. Os principais acessórios são: caveiras, coroas, boinas e minicartolas. Geralmente as Punk Lolitas são vistas como fãs de Visual Kei ou de J-Rock.
















Guro Lolita 

Guro Lolita é um termo japonês que corresponde á grotesque lolita. As Guro são lolitas que abusam de bandagens, curativos, sangue falso, poses e cenas dramáticas. É  a lolita "comum" enfatizando a boneca quebrada.

















Gothic Lolita 


                                                                
É  a mistura do estilo Gótico com Lolita. A inocência obscura. As cores predominantes são o preto, o azul marinho, o roxo e até mesmo o vermelho.
Devemos ressaltar que as Gothic Lolitas não tem conexão nenhuma com as tribos Góticas.

















Erololi


Ero = Erótico | Loli = Lolita. O Eurololi é a mistura do sexy, sem exageros, com o estilo lolita. Abusam dos corsets e outros elementos típicos das roupas íntimas vitorianas, como bloomers (aquela calçola da vovó), petticoats (saias de tule, filó ou tecido) e calcinhas grandes com babados.
A cinta-liga, as coroas e cartolas são acessórios indispensáveis e o comprimento das saias são menores que o habitual.
Em qualquer estilo Loli, a inocência jamais pode deixar de ser ressaltada, até mesmo no Ero.
























Wa Lolita


É baseado na combinação entre acessórios japoneses e a moda Lolita. O nome do estilo é originário do Japão e significa Mesma Nação, terra harmônica. 































QI Lolita 





Este é um dos poucos segmentos mais comuns entre as Lolitas. 
É similar a Wa Lolita. 
Encorpora acessórios tradicionais chineses á moda Lolita. Os tons quentes como o preto e o vermelho predominam entre as cores.










Hime Lolita



Bastante semelhante ao Sweet Lolita, principalmente pelas cores, o Hime Lolita é o estilo que mais remete á imagem de princesas européias. Diferencia-se do Sweet Loli pelos modelos dos vestidos (bem mais imperiais, imponentes e luxuosos). As coroas, tiaras e pérolas são acessórios indispensáveis e o penteado é digno de uma princesa.


Deco Lolita


Nada mais, nada menos que o misto do estilo Decora com a moda Lolita. Abusa-se de acessórios coloridos, principalmente pulseiras de bolinhas, prendedores de cabelo, estampas multicoloridas, sobreposições, meias e o que mais a imaginação permitir, desde que seja com muita doçura. Neste estilo existe uma preferencia pelos tons de rosa, mas nenhuma regra que dite isso.


Casual Lolita



Esse estilo é o mais comum visto no Brasil. Não é uma subdivisão do estilo embora possa ser considerado. O Casual Lolita é uma forma de aderir o estilo Lolita a roupas diárias e comuns da sociedade. Pode-se usar saias godê com formato de sino (como pode o estilo), rendas, lacinhos, babados e misturar tudo isso a uma camiseta básica. Para finalizar, um sapato de boneca cai muito bem!






Analisando Estilos





Essa é a Dayane, 21 anos, mais conhecida como Broken. Reside em Aguas de Lindóia , interior de São Paulo e é dona de um estilo super marcante.
Analisando o estilo da Broken, pode-se notar traços góticos, mas o que predomina mesmo no estilo dela é uma subdivisão entre Erololi e Gothic Lolita. Ela mostra todo o seu lado menininha doce, mas sem deixar de enfatizar o seu lado sexy e dark. E é este contraste marcante que torna o estilo da Broken único.
Ela usa e abusa de Makes escuras, corsets, shortinhos, coturnos, meia arrastão e acessórios como caveiras, crucifixos, rendas e luvas. 







Bem, aqui estão todas as subcategorias deste estilo tão gracinha que é o Loli.
O Casual Lolita foi o que mais me agradou, por ser mais usável para o dia-a-dia.

E você? Qual destes estilos mais lhe agradou?!
Poste seu comentário!

Espero que tenham gostado!

Beijos
Genci Gotardelo







Qual é o seu estilo?

A partir de hoje começarei a postar sobre estilos. Sobre todos os estilos.
Loli, Gothic, Punk, Grunge, Rocker, Hippie, Emo, Country, Sexy, Urbano, Pin Up, It Girl, Contemporâneo, Casual...

Daí levanta-se a seguinte questão: Qual é o SEU estilo? 
Se você não sabe, vai descobrir.
Se você ainda não tem estilo próprio, vai insPIRAR-se!

Começaremos com as definições para o estilo das Lolitas (ou Loli) e todas as suas variações.

ENJOY!
 
;)





sexta-feira, 29 de abril de 2011

Make me fine!



Após tantas mudanças no visual, hoje aos 21 anos, percebi que não posso mais mudar e voltar a ser uma pessoa só, visualmente falando.
Percebi que cada vez que acrescento algum adereço ao meu estilo, não estou passando por mudanças, mas sim ativando o meu molde, de todos os modos e em todos os moldes.




Após tanto me questionar sobre "Qual é o meu estilo?" cheguei a conclusão de que o meu estilo hoje, são todos os meus estilos. É um retrô da minha própria vida.
Por mais que os anos passem, por mais que meu corpo sofra modificações e por mais que a moda mude, aquela garotinha sardenta e cheia de arte manhas está viva em chamas dentro de mim. Foi de mãos dadas com ela que eu cheguei até aqui. E ela me ensinou a ter uma coisa que a moda nem sempre tem, estilo próprio, independente do que a moda dite.
Aos 8 anos de idade, aquela garotinha mostrou com artes psicodelicamente multicoloridas que ela já sabia o que queria ser quando crescesse. A jovem de 21 anos, hoje relembra tudo aquilo com um sorriso emocionado no rosto quando senta-se á mesa e desenha os seus croquis.
O fato é que jamais questionei-me sobre "Será que é isso mesmo que eu quero? Ser estilista?".
Eu sempre soube que a resposta é SIM, é como se eu fosse predestinada a isso, como se eu tivesse nascido para isso. E sinto queimando dentro de mim. Quando se trata de Moda, meus batimentos cardíacos disparam, minhas mãos soam, meu estômago fica cheio de borboletas, por que sou apaixonada por Moda.
Eu respiro, transpiro e inspiro Moda.
Eu vivo Moda. E se no final da minha vida eu descobrir que não fui oficialmente uma Estilista, então descobrirei que não vivi.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Peace, love and music.



O memorável festival de Woodstock (que aconteceu no final da década de 60 e teve como tema principal a paz e a música) me transportou, no final de 2010, á uma atmosfera de muita paz e amor.
Todo o contexto dos acontecimentos que ocorreram naqueles três dias de pura poesia, e tudo o que aquele festival significou para o mundo (e significa até hoje) me levou a resgatar do fundo do armário da minha mãe uma saia estilo Hippie anos 70, a qual ela usufruiu bastante durante os anos 80.
Eu estava encantada com toda aquela fatídica magia de me adentrar numa roupa tão cheia de histórias e tão cheia de vida.




Pudera, toda aquela vibe de boas energias que fluíam e transbordavam de dentro de mim faziam parte de um todo que me fazia sentir realizada, como a primeira vez em que molhei meus pés na água do mar.
Eu, com mais de 20 anos de idade, e ainda não havia tido a sensação de sentir as ondas salgadas se colidirem com meu corpo e com minha vontade de sentir tudo aquilo.
Meu maior desejo sempre foi avistar o mar, pela primeira vez, a noite. E realizei.
Não foi real. Foi mágico!
Aquilo tudo me transmitia uma paz de espírito tão incrível, e teve uma influencia tão forte sobre mim, que aderi ao meu estilo alguns elementos hippies como o Code of Nuclear Disarmament, os brincos de pena, alguns talismãs de sorte, trança nos cabelos, pulseira rasta, roupas com tecidos leves e estampas florais delicadas. Procurava sempre alternar essa minha nova fase "Hare Krishna" com o meu tão adorado Rockabilly, e resultava numa mistura agradável e alternativa.




Aprendi muito com aquela parte de mim. Aprendi a ter mais calma, a ter um pouco mais de paciência, a ser um pouco menos eufórica.
Aprendi que, com equilíbrio e naturalidade, podemos ser o que quisermos.
Basta estar em paz consigo mesmo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Rockabilly



A influência dos anos 50 me fez cair de amores pelo Rockabilly.
Nesta década, o filme Rebel Without a Case teve forte influência sobre os jovens, com James Jean mostrando a cara de um estilo rebelde, com topetes, jaquetas de couro e garotinhas sonhadoras, apaixonadas por caras durões em suas lambretas.
A invenção da mini saia nos anos 60 mudava de vez o estilo das garotas que sempre quiseram vestir-se como suas mães. A partir disso, eram as mães que queriam usar as roupas das filhas.
Saias godê de cintura alta e tecidos em poá resgistraram sua marca ao longo da década de 50 e 60.
Peep toes eram os sapatos que comandavam naquela época, e hoje compõem o estilo Retrô, pelo qual é impossível não se apaixonar.
O som dos Beatles passou a ser música de fundo e inspiração em todas as minhas produções. Inspirei-me no estilo das Pin Ups aderindo-o ao Rockabilly e tudo o que eu já pude ser. 
Marylin Monroe com toda a sua ousadia e exuberância feminina, inspirou-me nos cabelos loiros descoloridos. A franja curta de Audrey Hepburn, a famosa "Bonequinha de Luxo" passou a ser uma parte minha da qual não pretendo me desfazer tão cedo. Logo, o estilo Retrô e Vintage dos anos 50/60, me dominou de vez. E predominou.
E aquela era eu nascendo de novo, com meus vinte e poucos anos e muito menos medo de experimentar um pouco mais deste estilo que definitivamente me reinventava.
Encantei-me com a idéia de poder misturar rendas, godês, poás, alfaiataria masculina e adornar todas essas opções a um estilo contemporâneo e alternativo.  
Sem me importar se estava certo ou errado, eu estava mais uma vez sendo eu, na minha forma e no meu modo. Á minha moda!

domingo, 24 de abril de 2011

Dois anos depois...



O simples ato de vestir uma camiseta branca básica deixou os meus familiares surpresos. E mais tarde os demais. Eles vibravam com o fato de eu estar "clareando as minha idéias".
Havia me formado no colegial e dali em diante começaria a trabalhar fora. Não havia mais tempo para todas aquelas produções dark e makes trabalhosas. Eu precisava de agilidade, da praticidade do batom, lápis nos olhos e bochechas rosadas. Logo, passei a usar roupas básicas, mas sem perder o meu contexto.
Eu tinha cabelos compridos demais para o pouco tempo que me sobrava. Cortei curtinho, com pontas maiores na frente, eu gostei, mas assustei muita gente com isso. É engraçado lembrar!
Eu precisava mesmo clarear as minha idéias, caso contrário, ninguém daria emprego á uma pessoa vestida com saia de tule, batom preto e corsets.
Aos poucos fui me aderindo ás necessidades do cotidiano, e marcando um estilo mais moderninho e alternativo pelo qual passei a me interessar cada vez mais.
Substituí o coturno por All Star Basket Low, jeans, camiseta básica e moleton. Continuei usando as lentes verdes por um bom tempo. Era fascinada por olhos verdes e já que não os tinha por natureza, pagar por eles era válido.
Depois de algum tempo, tirei as lentes verdes e aceitei os óculos de armação preta. Poderiam vender olhos novos no supermercado... Enfim, nunca me dei bem com os óculos.
Passei a gostar de ouvir músicas de estilo mais pesado, como Metalcore, Screamo e Black Metal, mas sem deixar o Gothic Metal ser esquecido.
Eu estava aprendendo a dar brechas para novos conhecimentos e assim expandir os meus gostos, não só sobre musicalidade, mas sobre tudo.
Fiz a minha tão querida tatuagem, piercing no nariz, tudo como eu sempre desejei. Eu tinha cabelos castanhos, e descolori-os totalmente, até que ficassem num tom de loiro quase branco.
Algumas frustrações amorosas me fizeram mudar radicalmente de estilo, eu queria mudar não só por dentro, como queria que isso transparece por fora, eu queria vida nova. E ganhei vida nova! E até um namorado novo!
Toda essa mudança me fez perder alguns medos infantis, como cortar demais o cabelo ou mudar por algo que me fizesse perder minha identidade. Isso não existe, usar o uniforme de alguma empresa "caretinha" e formal não vai mudar o metaleiro cabeludo que existe dentro de você.
Ver a diversidade das coisas, o estilo das pessoas ao meu redor, o meu estilo e todas as possibilidades me fez correr atrás e batalhar pra antecipar um sonho, já antigo, de ser uma estilista.  
Foi aí que surgiu a possibilidade de um curso de Moda e Estilo no Senac São Paulo.
A minha doce guerra já tinha uma batalha travada, comecei a lutar, e venci. 
Hoje estudo Moda e de quebra sou modelo fotográfica da campanha de marketing da área de Moda e Estilo do Senac São Paulo. E essa é só a primeira batalha vencida, virão muitas outras, com muitos obstáculos a serem enfrentados, mas com muita disposição, paixão e inspiração do lado cá, esperando que o lado de lá venha com tudo!
Todo dia é uma nova batalha. Todos os dias nasce alguém diferente dentro de mim. Eu não sei dizer como e nem porque, mas se agora sou assim, daqui a pouco não. 
Posso mudar a minha história, reescrever os fatos, rever os atos, mas perder o meu contexto... Jamais!



sábado, 23 de abril de 2011

Tempos góticos



Aos 16 anos, me encantei com a voz e com o estilo de Amy Lee, vocalista da banda Evanescence. Que me levou a conhecer Nightwish, Lacuna Coil, Tristânia, Lacrimosa, Within Temptation, Xandria, Épica. Todas reconhecidas como bandas de estilo Gothic Metal.
As vocalistas de ambas as bandas usavam roupas de estilo medieval porém com um toque de rebeldia dark underground. 
Cada vez mais eu me sentia encantada por aquele mundo perfeitamente obscuro para o qual aquelas músicas me transportavam. Foi quando conheci a arte da customização. 
Com linhas e agulhas eu mesma costurava, a mão, todos os meus corsets, saias de tule, luvas rendadas. Abusava das cores de tons quentes, como o vermelho e o preto. Com um ponto aqui e outro ali, eu via nascer as roupas que eu passaria a usar pelos próximos dois anos. Eram em torno de três dias totalmente dedicados a essas peças, confeccionadas com muita paciência e delicadeza. Um esforço que valia a pena, pois eram peças que somente eu teria. Eram peças nas quais eu depositava toda a minha dedicação. E eu usava todas elas, com orgulho.
Aderia ás minhas customizações acessórios como crucifixos, coturnos, meias desfiadas, maquiagem dark e cabelos soltos e compridos.
Ficava bastante satisfeita com os elogios, quando me perguntavam de onde vinham os corsets e eu logo respondia: Eu que fiz! 
Minha mãe me apelidava carinhosamente de bruxinha, porém ela me aceitava do jeito que eu era.
Pelas ruas da pequena cidade o espanto das pessoas era até engraçado de se ver, pudera, a garota doce, coberta por tules pretos e rendas escuras numa tarde de sol. (Daí o codinome "sweet moonwitch")
O espanto das pessoas era a minha diversão. 
Quando elas olhavam dentro dos meus olhos, que eram castanhos, e "ficaram verdes" viam no que eu tinha me transformado. Eu havia me transformado no que eu queria, no que eu gostava de ser. Era o que me importava.
Me chamavam de personagem, de ilusão.
E era essa a intenção, fugir da realidade cotidiana e viver uma realidade que era só minha, sem deixar que influenciassem nisso.
Eu era a gótica, era a bruxa, era a vampira, era uma personagem, era qualquer coisa... Mas eu não era igual a ninguém.
Isso bastava. 






P.S.: Hoje, essas peças customizadas, pertencem a uma grande amiga, que com muito carinho dá continuidade ao uso. E é dona de um estilo que faz jus á cada um destes corsets.
Saudosa Broken Doll.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

O interesse pelo lúdico



Eu estava com quase 16 anos, quando senti que me moldar num estilo próprio tornava-se uma necessidade, de dentro para fora. Eu precisava expirar para o mundo todos os possíveis que haviam dentro de mim. Nunca me importei com o que pensariam ou falariam quando vissem pelas ruas da pequena cidade uma garota branca, de cabelos compridos, make azul turquesa, sapato de boneca, plumas, taxas e o que mais ela quisesse aderir. Como sempre, o preconceito era um fator predominante na sociedade, mas eu não me importava. Sempre preferi ser notada do que ser camuflada.
Sempre acreditei que a primeira impressão é a que fica, e quando uma pessoa te olha, a primeira coisa que ela analisa é o seu estilo, depois o seu cabelo, os traços faciais, e por fim, sua história, seu caráter, o que você faz... necessariamente nesta ordem.
Estilo nada mais é do que a exposição escancarada de uma história de vida. 
Nada me encanta mais do que ver uma pessoa expressando os seus "eus".
Já estávamos mais do que nos anos 2.000 e eu estava cansada de me soltar aos poucos. Viver ponderando em frente ao espelho nunca fez o meu estilo.
Foi quando me interessei por teatro, montei uma peça na escola, representamos Romeu e Julieta, comecei a perder aquela timidez típica dos 15 anos, fiz eternos amigos, que me acompanharam ao longo dos anos.
Não havia melhor maneira de me libertar. No teatro, na música e nos rabiscos que eu fazia no papel. 
Eu era eu, mais do que nunca e cada vez mais.
Houve quem me rotulasse como um personagem, como ilusão. 
Eu estava sendo mais real do que nunca. Eu estava sendo nada mais do que eu mesma. E eles, estavam todos uniformizados, presos na igualdade a que se incumbiam.
Despertei-me para viver uma sonho vívido. Entre anjos e os  monstros que tentavam me acordar, permanecia intacta. 
Posso mudar a casca, tirar as vestes, mas não perco o meu molde.


terça-feira, 19 de abril de 2011

Californication


Quem vivenciou a fase "Californication" da aborrescência sabe bem sobre o que vou escrever hoje...
Lembro-me tão claramente do estilo predominante daquela época que posso senti-lo com a mesma intensidade de 8 anos atrás! As bandas de garagem que nasciam. Os festivais. O Rock n' Roll tão predominante entre os jovens. Lembro-me das grandes amizades dentre os grupos, da inimizade entre eles, mas afinal de contas estavam sempre reunidos, todos nos mesmos lugares. O estilo Rocker era predominante, e consistia em calças jeans ou tactel largas; algumas meninas usavam jeans masculinos deixando á mostra a barra elástica larga da peça íntima. Exagerar nos braceletes e make bem dark também era válido! E claro, o All Star Tower Fashion em contraste com cores fluorescentes e mini saia estilo colegial era de lei. O estilo variava desde o largadão, tipo o skater boy da Avril Lavigne na fase inicial de sua carreira com o álbum "Let Go!" até o estilo anos 90 que inspirava os metaleiros cabeludos. No auge deste misto de estilo, Californication do Red Hot Chilli Peppers inspirou muita gente a encontrar o seu estilo alternativo em meio a uma sociedade composta por igualdade visual. No auge das bizarrices da Pitty algumas amigas e eu montamos uma "banda de domingos a tarde" que se chamava "Boa Pergunta" nos divertimos bastante com aquilo tudo. Boas lembranças. Nascia ali uma rebeldia explicitamente escancarada num estilo alternativo e incomum, principalmente nas mulheres. O All Star pixado com os nomes das bandas favoritas, ou assinaturas de amigos, era uma forma de expressar o que sentiam. Usar calças largas havia deixado de ser anti-fashion pra se tornar tendência primordial.  A doçura do romantismo deu espaço ao estilo Underground, que jogou um balde de tinta preta no cor-de-rosa, rasgou os babados e os transformou em taxas metalizadas. E eu? Sempre observando e participando de toda essa mudança de estilo, posso dizer, que foi em meio a toda esta mutação eufórica que fornicava e emanava de todo este misto, que eu me encontrei. No meio daquela multidão de opções, pensamentos e atitudes que levavam a cada um a insPIRAÇÃO pra compor um estilo propriamente único, percebi que eu poderia ser o que quisesse, sem deixar o "ser eu mesma" de lado.  Depois dos 15, me segurar dentro de mim foi absolutamente impossível!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Quando tudo faz sentido



Até parece que eu tô vendo minha mãe enfatizando sobre a minha teimosia casa afora. Eu toda pirralha, cheia de sardas e artimanhas. Sempre me disseram que tenho olhos grandes, como os mangás. Deve ser por isso que eu era (e ainda sou) tão observadora. E minha mãe tinha razão, eu era muito (e sou) teimosa. Usava as roupas que queria, minha mãe dizia que eu parecia uma "árvore de natal" e eu não estava "nem aí". Eu tinha um cabelo lindo, comprido, com cachos dourados nas pontas... Cortei chanel. Eu tinha roupas de princesa, mas sempre gostei da calça jeans de cós alto, surrada, que minha mãe doou sem eu saber. Enquanto minhas amigas do primário ainda cultuavam a Xuxa, eu curtia Spice Girls e usava Melissa ao invés do tênis com pisca-pisca. Eu poderia andar sobre os paralelepípedos com um tênis confortável e seguro, mas eu gostava e preferia os riscos do salto 15. Aos 10 anos alegava que não usaria uma roupa se ela não "fizesse o meu estilo". Aos 11 troquei Lilica Ripilica por Planet Girls, e não que a roupa precisasse ter necessariamente uma marca apropriada, ela apenas tinha que se parecer comigo, e me identifiquei bastante com esta! Eu era nova demais pra usar Make escura demais? Era isso que eu ouvia o tempo todo. E lá estava eu me deliciando com as maquiagens da minha mãe, e provando as roupas dela. Sempre tive apreço pelas roupas da minha mãe, e até hoje ainda tenho algumas dessas "raridades" dentro do meu guarda roupa, como uma saia estilo hippie que ela usava nos anos 80 (me orgulho de ter nascido nessa década). Hoje, nos anos 2000, estou vivenciando a volta do melhor estilo, o das nossas mães e avós. Cada vez que uso uma calça dos anos 90  ou uma saia dos anos 50, faço uma viagem de volta ao meu passado e outra a um passado que não vivenciei, mas sinto com intensidade dentro de mim. Quando me olho no espelho, bem dentro dos meus olhos, enxergo aquela garotinha teimosa e sardenta, e então vejo que tudo faz sentido.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O que parecia brincadeira de criança...

Lembro-me perfeitamente daquele final de tarde em que me ajoelhei no chão debruçada sobre a mesinha de centro da sala da pequena casa onde minha família e eu morávamos, observando um papel em branco e os vários lápis coloridos disponíveis, todos expostos ao lado do papel. Por alguns minutos permaneci observando aquele vazio do papel em branco, achando tudo tão monótono, tão dramático... Eu sentia como se o papel estivesse me pedindo vida. Tracei com uma régua várias formas geométricas e marquei todas elas com caneta preta, formando margem em negrito entre todas as figuras. Escolhi algumas cores das quais eu mais gostava, e comecei a pintá-las, cada uma de uma cor. E assim fui me expressando naquele papel, por horas. Quando percebi que, sem pensar, havia usado todas as cores que compunham a paleta. Era uma tela psicodélica. Multicolorida. Expressiva. Determinada. Mesmo depois de horas trabalhando para desenvolver uma arte, que era minha, ainda consegui me surpreender com o resultado. Minhas mãos estavam cansadas mas aquilo me causou um prazer tão intenso que eu quis começar de novo. Fiz outra. E outra. Eram várias! E cada vez que via o resultado de cada uma delas, mais realizada me sentia. Eu tinha 8 anos de idade, e eu não tinha dúvidas. Eu queria ser uma artista plástica! E é aí que começa a história...
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